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  • Luiz Campos

Doença celíaca

A doença celíaca (DC) é uma doença auto-imune que afeta o intestino delgado de indivíduos geneticamente predispostos, precipitada pela ingestão de glúten.


É uma doença relativamente comum, acometendo cerca de uma pessoa a cada 100, em quase todo o planeta. É mais comum em mulher e em indivíduos caucasianos. Também acomete mais os parentes de primeiro grau e pessoas que apresentam outras doenças auto-imunes como diabetes tipo I, hipotireoidismo, hepatite auto-imune, entre outras.


Os pacientes com DC não devem ingerir glúten, que está presente no trigo, centeio e cevada. Os pacientes precisam geralmente seguir uma dieta estrita, suprimindo o glúten pelo resto da vida. Não se recomenda a ingestão de aveia por ser frequentemente contaminada com trigo, e há um pequeno subgrupo de pacientes com DC (menos de 5%) que pode também não tolerar a aveia pura.


Os sintomas clássicos no adulto são diarréia crônica, perda de peso, anemia, distensão abdominal, fraqueza e mal-estar. Na criança pode haver perda de peso, baixa estatura, vômitos, diarréia, dor abdominal recorrente, atrofia muscular, hipoproteinemia e irritabilidade.


Pacientes com DC que não aderem a dieta, tem risco elevado de complicações como linfoma, neoplasia do intestino delgado, tumores orofaríngeos, infertilidade não explicada, osteoporose e fraturas ósseas.


O diagnóstico da DC é baseado na biópsia do intestino delgado, que é realizada através do exame de endoscopia digestiva alta. Concomitante à biópsia são solicitadas sorologias específicas para DC.


O único tratamento para a doença celíaca é uma dieta estritamente livre de glúten por toda a vida. Os pacientes devem ser encorajados a consumir alimentos naturais ricos em ferro e folatos, especialmente se houver deficiência documentada destes minerais.


Aproximadamente 70% dos pacientes relata uma melhoria nos sintomas dentro das primeiras 2 semanas após ter iniciado a dieta sem glúten.


O paciente deve manter acompanhamento com gastroenterologista a cada 3 a 6 meses no primeiro ano, e após esse período e a estabilização da doença, anualmente.


Amanda Pereira Medeiros

Médica Gastroenterologista

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